Dispo-me frente ao espelho...
Carne, pele,músculos, pelos, cabelos, dentes...
Vejo uma mulher comum
Saída de uma fôrma há milênios
E nunca modificada
Tão simples despir-me......
Quero desnudar-me....
Dói desnudar-me...Dói muito...
É dor que dilacera, que sangra, que desperta feridas...
Mas tento...
Pouco a pouco, penetro no porão desse meu “ser” vestido de mistérios
Enrosco-me em teias enredadas há anos
Sinto o cheiro de mofo e cubro-me da poeira do tempo
A garganta pigarreia e os olhos ardem
Tanta coisa de mim, ali, abandonada
Tempestades prestes a desabar, todas encaixotadas
Vontades e sonhos contidos....engarrafados
Desejos e amores calados.... engavetados
Emoções acorrentadas
Palavras inertes, vazias, habitando cadernos embolorados
Despir-me é um ato tão simples
Desnudar-me é tão dolorido
Não sei se um dia serei capaz...
Deixo tudo lá, intocado
Saio do “meu” porão devagarinho
Parece-me que cometo um sacrilégio...
Profanar seres há muito sepultados...
Escondo a chave sob o tapete do esquecimento
Preciso livrar-me dela...
Olho para mim, para minhas mãos...
Tenho apenas vestidos rendados, saias floridas, meias de seda....
Visto-me...Dispo-me...Sou uma mulher comum....
Desnudar-me?
Não tenho coragem para tal . Agora não...Ou não seria essa a hora?
Tenho medo...Quem sabe amanhã?...Ou depois?...Um dia, talvez.....
Serei uma nova mulher, invulgar, completamente diferente da que fui até agora....
Calo meus pensamentos .....Prefiro não pensar....
tenes que desnudar el alma verte ante el espejo y decirte a partir de hoy voy a ser una nueva mujer, no mirar el pasado ni el futuro vivir el presente que el futuro viene solo
ResponderExcluirbesossss
TENTE E NÃO TENHA MEDO
ResponderExcluirBEIJKAS