Tinha asas feitas de sonhos e cobertas de plumas
Cada sonho, uma pluma...todas branquinhas
E com essas asas eu voava ...livre e plena!!!......
Por desertos sem vida, eu flanava a esmo
e presenteava-os com algumas plumas....e oásis surgiam
Não tinha medo do mar e amava-o a cada voo razante
Em dias de tempestades, voava alto
e a ventania me fazia dar cambalhotas
Os rochedos chamavam-me pra fazer companhia ao sol
Com ele, eu seguia pelo céu, dos amanheceres aos anoiteceres
Nas noites sem lua, os galhos das árvores abraçavam-me e com o canto da brisa eu adormecia
Nas noites enluaradas, eram as árvores que dormiam e eu, acordada, namorava as estrelas
Mas havia uma pluma que sonhava o mais belo sonho
......enroscar-se na linha do horizonte e nela fazer piruetas...
Era a mais bela pluma e a que mais alto sonhava
E levava-me a voar, voar, voar......
Quanto mais eu voava, mais o infinito ficava distante
Pobre pluma! Foi entristecendo, entristecendo
Sem me dar conta, a tristeza se espalhava entre as outras plumas
Os sonhos deixaram de ser sonhados
Cada sonho transformou-se numa pena
Cada pluma, uma pena
Minhas asas, antes de sonhos, são agora asas de penas
Cada pena, uma pena....
,,,penas pesadas
...penas negras
...penas escorregadias
Perdi o rumo e a vontade de voar
Não voo por desertos, acabaram-se os oásis...
Não enfrento rochedos que agora, como escudos de pedra, me limitam...
Não faço amor com o mar e as tempestades me amedrontam...
Os braços das árvores me afastam...
Amanheceres e anoiteceres já não precisam de mim....
As estrelas fecham os olhos e fingem que não me conhecem....
Adormeço num canto qualquer ao som rouco do coaxar de sapos nos pântanos...
E o infinito? Esse continua lá, dono de si, indiferente, inatingível, distante...
...distante de mim...para sempre.........
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