



Hoje, nos preparativos para o almoço do Dia das Mães (afinal,ir ao restaurante nesse dia não é presente...é castigo...as filas...) estava pensando no que seria ser mãe para mim. Ora, mãe é mãe...e ponto final...é gerar, é parir, é criar...e, por aí vai. Parece pensamento sem emoção, sem sentimento. Não conseguia pensar nas mensagens lindas, cheias de apelos emotivos que recebemos nessa data. Será que estou ficando insensível? Vieram-me outros pensamentos...pensamentos não...vieram-me histórias, muitas histórias. Lembrei-me das vezes em que, de maleta na mão, fui para a maternidade pra ser mãe pela primeira vez...”Ainda não é a hora, pode voltar pra casa...”.Mãe de primeira viagem.....
Lembrei-me da vez em que, fazendo a limpeza da cozinha, uma das filhas me pedia algo que já não me lembro o que era, mas não podia deixar o que estava fazendo para atendê-la. Já cansada, disse-lhe...”Filhinha, vá lá no quarto da mamãe e vê se a mamãe está lá, vá...”. A inocente sai imediatamente e logo volta e diz...”Não, mamãe, já vi,mas você não está lá não..”.Pobrezinha, e lá foi ela mais algumas vezes...Maldade!!!!
Lembrei-me de uma vez, corrigindo dezenas de provas, toca o telefone e eu digo para uma delas...”Atende, filha, e diz que eu não estou...”. Dito efeito...ela atende e diz...” Oi, a mamãe está dizendo que ela não pode falar porque não está aqui...”. Que belo exemplo...ensinando a mentir (mãe também é gente...tem muitos defeitos)
Lembrei-me das inúmeras vezes que era acordada por uma delas, às 3 ou 4 horas da madrugada...”mamãe, levanta, vem me vestir que eu não quero chegar atrasada...”. Olhava e lá estava ela segurando numa mão o uniforme do maternal e na outra o pente e o laço de fita do cabelo. Sempre responsável desde pequena...
Lembrei-me da vez em que a filha do meio chamou-me sorridente, dizendo...”Vem,mamãe, vem ver como a maninha está linda, parecida com você...”. Chegando ao berço, deparei-me com um bebê de 3 meses com o rosto totalmente pintado de batom vermelho (e estava parecida comigo? Meu Deus, que assombro!...)
Lembrei-me da vez em que a professora, minha colega de escola, chegou para mim e disse...”Olha, acho que temos que mudar a sua filha de turma, ela já sabe ler e escrever, termina logo as tarefas e depois, desculpe-me, mas aí só faz atrapalhar os outros!...” Que vergonha! Bem feito para mim, quem me mandou alfabetizá-la tão cedo? Tivemos que arrumar outra turma para ela. E assim, lá se foi a “sapeca” de 5 anos para uma turma de segunda série. Aí é que a coisa esquentou....
Lembrei-me das inúmeras vezes em que, atarefada nas lidas da casa e de olho no relógio para ir trabalhar, levava a mamadeira para a mais nova no berço...e ia continuar o que estava fazendo. Logo, ouvia um barulho...era a mamadeira já vazia que ela jogava para fora do berço. Ia ao quarto, pegava a mamadeira e dava-lhe um beijinho. Menina esperta!....
Lembrei-me da vez em que,cansada das notas vermelhas na tabuada (filha de professora com notas vermelhas era inadmissível...), decidi ficar com ela memorizando a “perversa” pela madrugada afora para o teste do dia seguinte (e dizia. “eu não sou mais eu, se você não aprender essa tabuada, nem que seja na marra! Chega de notas vermelhas!)...7X1...7X2...7X3........Dito, feito e cumprido...a “maldade” da mãe professora foi válida...ficou craque na bendita tabuada..Com os meus alunos...pedagogia, em casa...”paudagogia”.
Lembrei-me da amiga que, ao me encontrar, diz gargalhando...”Encontrei tua filha ontem, indo para a escola, andando de costas e me disse que, como estava ventando, não queria que o vento desmanchasse o cabelo dela!...”. Vaidosa, tudo bem...mas andar de costas?.....
Lembrei-me de quando dizia para a outra...”Como é, já tomou banho?” E ela respondia...”Estou acabando.” Dava uma incerta, abria a porta do boxe e lá estava ela, no cantinho, completamente seca e a água caindo, caindo a metros de distância...E das vezes em que a mesma ia se deitar de uniforme para no dia seguinte já acordar vestida...era pra dormir mais um pouco, dizia...Pode??....
Lembrei-me da vez em que,depois da prova de geografia, ela veio toda faceira me contando...”Mamãe, caiu o que nós estudamos, para desenhar a rosa dos ventos”. “Que bom, filha, você desenhou direitinho, não esqueceu nenhum ponto cardeal e colateral?...”. “Ué, mamãe, era isso?” Ai, meu Deus, o que vem por aí? Nem precisei perguntar que ela foi logo falando...”Eu desenhei uma linda rosa virada e a cara do vento soprando ela”. Parece piada...mas juro que é verdade. Não sabia se chorava ou se ria....
Tantas coisas me vieram à mente, tantas histórias...o crescimento delas, os lanches aqui em casa com os amigos, os primeiros namoricos...Vi-as crescendo, tornando-se lindas mocinhas, entrando no segundo grau, o estresse dos vestibulares, a entrada na faculdade...estavam se tornando mulheres, 3 lindas mulheres com idéias próprias, interesses individualizados, habilidades particulares, seus maus humores...cada uma, uma personalidade, um estilo,um jeito de ser..mas todas, igualmente adoráveis...À medida que foram crescendo, o trabalho braçal ia diminuindo, mas as preocupações aumentando, aumentando...As saídas noturnas que queriam, o pai que dizia um NÃO categórico e eu, ali, no meio, servindo de ponto de equilíbrio...e haja malabarismos e contorcionismos nas palavras, desculpas e panos quentes.....
Filhos, histórias de vida, histórias de amor, histórias de luta...tenham eles a idade que tiverem serão sempre nossos meninos e meninas (para a minha mãe, até hoje eu sou...”a minha garota”) e nós, mães, sempre com histórias pra contar como se fôssemos as únicas do mundo a terem filhos tão maravilhosos.
Eis uma das últimas...Eu e minha filha, a mais velha, fomos fazer compras. Entramos na loja e ela experimentou algumas peças de roupas. Eu dando palpites, claro...mãe tem sempre que palpitar...em quase tudo. Ela experimenta essa, aquela, olha daqui, olha dali e diz para a vendedora...”Essa calça não vou levar, não gostei.” A vendedora...” Mas, ficou tão bem, ouvi a sua amiga ali dizendo que também gostou.” Ela olha a moça fixamente e muito séria, diz alto e em bom som...”Minha amiga? Ela é a minha mãe!!” Disfarcei, fingi que não tinha ouvido...afinal,mãe pode er tudo...amiga, companheira, confidente, durona, ranzinza, gorda,magra, moderna, antiquada, flexível...mas antes de qualquer coisa...MÃE É MÃE!!!.... e ponto final!!.....